sexta-feira, 21 de junho de 2013

As Férias de Meus Sonhos - conto de Lucia Millet




AS FÉRIAS DE MEUS SONHOS

Um dia, quando menos esperávamos, recebemos uma carta da mãe do Marcelo. Naquela época telefone em casa era um luxo a que poucos se permitiam, as pessoas geralmente se comunicavam por cartas ou telegramas. A mãe do Marcelo contava as novidades, a família estava morando no Rio de Janeiro, todos iam muito bem e o Marcelo mandava lembranças para mim. Mas a parte realmente interessante vinha depois. Marcelo viria passar férias no sítio de um tio, perto de Campinas. A mãe do Marcelo queria saber se eu poderia ir também, assim nós dois poderíamos brincar e fazer companhia um para o outro, já que éramos tão amigos. Minha mãe acabou concordando, afinal eram somente duas semanas e nossa família ia poder viajar mesmo naquelas férias. Dez dias depois eu embarcava sozinho na rodoviária, com destino a Campinas, onde o tio do Marcelo aguardaria minha chegada. Na mala, além de minhas roupas, levava escondidos minha calcinha e meu sutiã. Antes de viajar minha mãe queria que eu fosse ao barbeiro, mas preferi ir com o cabelo comprido...
Encontrei o tio do Marcelo na rodoviária de Campinas e fomos de táxi até o sítio dele. Chamava-se Adamastor o tio do Marcelo, devia ter uns cinqüenta e poucos anos, muito gentil e alegre, alegre até demais. Ele tinha a voz mole e desmunhecava bastante; logo percebi que era bicha.
Quando cheguemos ao sítio já anoitecia. Dei um grande abraço no Marcelo, que me aguardava na varanda, e ele me apresentou sua tia, a Heloísa. O Adamastor ele era solteirão e morava com a irmã. A Heloísa devia ter uns trinta e cinco anos, eu a achei bonita. Fiquei encantado com o sítio, nada de plantações, somente gramados, árvores (muitas com frutas), flores e pássaros, e ainda uma belíssima casa com piscina. Pelo jeito o tio do Marcelo tinha dinheiro.
Entrei na casa com minha malinha na mão, admirando tudo.
- Você e o Marcelo vão ter de dividir o mesmo quarto – disse a Heloísa. – Os outros estão em reforma.
Marcelo me guiou até o quarto, para que eu tirasse aquela roupa e ficasse mais à vontade. Logo vi que no quarto só havia uma grande cama de casal.
- Nós dois vamos ter que dormir juntos aqui – ele disse sorrindo.
- Vai ser bom – respondi.
Abri a mala e separei um calção e uma camiseta para vestir.
- Não! Não vai colocar isso, não – disse o Marcelo. Ele abriu uma porta do guarda-roupa onde havia algumas roupas de mulher, tirou uma blusinha e uma minissaia rodada vermelha, depois abriu uma gaveta pegou um conjunto de calcinha e sutiã cor-de-rosa, colocou tudo sobre a cama.
- Veste isso aqui. As sandálias estão no armário – disse o Marcelo.
- Mas eu não posso sair por aí vestido assim – respondi – Na frente do seu tio...
- Ele não liga. Eu já contei tudo sobre nós – respondeu o Marcelo.
- Você contou! – exclamei assustado.
- Pode ficar tranqüilo, ele entende essas coisas...
- Mas e a sua tia, a Heloísa? – perguntei.
- Ela também está sabendo de tudo. Estava louca para te conhecer – completou o Marcelo rindo.
Eu fiquei olhando para ele boquiaberto, sem saber o que dizer, mas no fundo achando aquilo muito bom.
- Aqui você vai poder ficar vestida de menina o dia todo – disse o Marcelo. Depois prosseguiu: – Fica bem bonita, Lucinha. Mas anda rápido, porque o jantar daqui a pouco está na mesa...
Marcelo saiu deixando-me ali sozinha no quarto. Senti um pouco de vergonha por todos saberem do meu segredo, mas ao mesmo tempo fiquei louca de vontade de sair por aí vestida com aquela roupinha linda. Tomei um banho rápido, depois comecei a me vestir diante do espelho, um espelho enorme, como eu nunca tinha visto. Coloquei a calcinha minúscula, toda em renda, bem apertadinha, e o sutiã que, além de ser lindo, tinha um enchimento por dentro, fazendo com que eu ficasse uns peitinhos de menina-moça. Pus a blusinha e admirei meus peitinhos que pareciam de verdade. Finalmente vesti a minissaia vermelha, de babados, bem rodada, tão curta que se eu não tomasse cuidado todos iam ver minha calcinha. Enfim calcei as sandálias. Olhei-me inúmeras vezes no espelho para ver se estava tudo bem antes de sair do quarto.
Na sala de jantar já estavam sentados à mesa o Adamastor, a Heloísa e o Marcelo.
- Enfim a mocinha está pronta – exclamou o Adamastor com aquele jeitinho de bicha.
Eu me devia estar vermelha de vergonha. Não era fácil aparecer vestida daquela maneira na frente de estranhos. Minhas pernas tremiam; não sabia onde esconder minha cara...
- Você está linda, Lucinha – disse a Heloísa. – A roupa ficou perfeita nela, não é? Eu comprei pelo tamanho do Marcelo; vocês têm a mesma altura.
As palavras de Heloisa me tranqüilizaram um pouco.
- Senta logo, Lucinha – disse o Marcelo. – Senão o jantar esfria.
Aos poucos eu comecei a me acostumar com a situação, fui me acalmando. O Adamastor e a Heloísa me tratavam como se eu fosse uma menina. Eu respondia as perguntas que eles me faziam sobre minha família e sobre meus estudos. A certa altura, a Heloísa tocou num assunto que me interessou.
- Amanhã cedo – disse ela – nós duas vamos à cidade comprar mais umas roupinhas para você. Combinado?
- Combinado – respondi, mal acreditando.
- Aqui tem um monte de roupas da Marta (aquela prima do Marcelo) guardadas.  Você pode vestir o que quiser, mas é melhor você ter suas próprias coisas – completou a Heloísa, como se fosse a coisa mais natural do mundo eu me vestir de menina.
Depois do jantar o Marcelo e o Adamastor ficaram assistindo televisão na sala. Eu fui ajudar a Heloísa a lavar a louça na cozinha, por mais que ela dissesse que não precisava, porque achei que era obrigação de uma menina. A Heloísa estava encantada comigo.
Quando terminamos de arrumar a cozinha, fomos nos sentar para assistir a novela. Apenas o abajur e o televisor iluminavam a sala. No escurinho, sentei-me no sofá ao lado do Marcelo que logo aproveitou para passar a mão nas minhas coxas e na minha bunda. Comecei a ficar louca de tesão. O Marcelo cochichava sacanagens no meu ouvido: “Hoje eu vou comer tanto a tua bundinha, Lucinha”, “Senti tanta falta de você”, “Você está mais bonita que antes”, e mais um monte de coisas.
Assim que terminou a novela, eu disse que estava cansada da viagem e queria dormir mais cedo. Na verdade estava ansiosa para ir logo para quarto dar a bunda ao Marcelo.
- Eu tenho uma camisolinha da Marta que vai servir em você – disse a Heloisa sorrindo. Ela foi buscar a peça num armário e me deu.
Assim que ficamos sozinhos no quarto, o Marcelo me abraçou e me beijou na boca, enquanto suas mãos entravam debaixo da minha saia e alisavam minha bunda.
- Deixa eu tirar a roupa primeiro – pedi.
- Pode tirar – disse Marcelo deitando-se na cama. – Faz um strip-tease para mim.
Eu sorri e, mesmo sem música, comecei a rebolar e a tirar a roupa bem devagarzinho, até ficar só de calcinha. O Marcelo ajoelhou-se atrás de mim e começou a beijar e lamber minha bunda; ele sabia que eu adorava isso.
- Vem, vamos para a cama – disse ele.
Não resisti. Ainda de calcinha deitei de bruços na cama de casal e esperei enquanto ele lubrificava o pau. Logo senti as mãos dele abaixando minha calcinha, depois o calor do pinto dele roçando minha bunda. Finalmente ele entrou no meu cuzinho e começou o movimento de ir e vir. Senti um pouco de dor no começo, porque estava há bastante tempo sem dar, depois ficou gostoso. Gozamos os dois juntos, deliciosamente.
Para dormir eu quis vestir a camisolinha que a Heloísa tinha me dado. Era preta, transparente, bem curtinha, com detalhes em renda. Vesti também a tanguinha, que fazia conjunto com camisola, e tinha tirinhas dos lados para amarrar. Fiquei um bom tempo me olhando no espelho, nunca tinha me achado tão linda. Quando voltei para a cama percebi que o Marcelo estivera me olhando o tempo todo e que seu pau estava novamente duro. Senti-me na obrigação de satisfazer meu macho, afinal fui eu que tinha levantado o pau dele. Dei a bunda mais uma vez antes de dormir...
 
*   *   *
Na manhã seguinte, fomos a Heloísa e eu a uma loja de departamento no centro de Campinas, para comprar mais roupas para mim. Nunca imaginei isso, mas ela queria que eu fosse vestida de menina.
- Vamos – insistia ela. – Você fica linda, ninguém vai perceber que você é menino.
 Acabei cedendo por consideração a Heloísa. Pus a calcinha e o sutiã com enchimento. A Heloísa me trouxe um vestidinho da Marta, lindo, de bolinhas, com a cintura bem alta, logo abaixo do busto, e que depois descia soltinho (era um pouco mais cumprido que o da noite anterior, mas não muito). Calcei as mesmas sandálias da véspera. Antes de sairmos, a Heloísa deu uma ajeitada meus cabelos e passou em mim uma maquiagem leve: batom, lápis de olhos e pó-de-arroz.
Fomos no Fusca da Heloísa. Dentro do carro eu me sentia segura, mas na hora de sair na rua vestida daquele jeito, senti um frio na barriga.  A presença da Heloísa ao meu lado me deu coragem.
Entramos na loja e fomos direto para a seção de lingerie. Meu pau ficou duro só de mexer nas peças; ainda bem que ele estava bem apertado dentro da calcinha e a vestido que usava era rodado. De tão encantada que estava, eu não saberia o que escolher se não fosse a ajuda da Heloísa. Compramos três de conjuntos de calcinha e sutiã, um mais lindo que o outro. Depois fomos para a seção de roupas; escolhi mais dois vestidinhos, três saias e um monte de blusinhas. A Heloísa entrou comigo no provador para me ajudar a experimentar. Ela também insistiu em comprar para mim um par sandálias de salto alto, dizendo que se eu quisesse ser mesmo menina precisava aprender a andar de salto.
Voltamos para o sítio cheias de sacolas. Eu não via a hora de poder vestir todas aquelas coisas. Quando chegamos ao sítio, o Adamastor tinha saído, mas avistamos o Marcelo de sunga na beira da piscina.
- Ah, que cabeça a minha! – disse a Heloísa – Devíamos ter comprado um biquíni para você. Mas tem um muito bonito que a Marta deixou aqui. Você quer?
Num instante esqueci das roupas e fui correndo com a Heloísa atrás do biquíni. Era um biquíni azul claro, de lycra, bem do meu tamanho. Vesti a parte de baixo e a de cima, e foi correndo encontrar com o Marcelo na piscina. Assim que cheguei, ele me disse que eu ficava muito bem daquele jeito. Realmente, eu tinha me olhado rapidamente no espelho e não estava mal; meu corpo era quase de menina, a não pela cintura que não era tão fina, e também por aquele montinho formado pelo meu saco e meu pinto, que mesmo apertado na calcinha do biquíni aparecia um pouco. Nós nos divertimos muito na piscina, nadamos, tomamos sol. Quando a Heloísa nos chamou para o almoço, fui ao quarto tirar o biquíni e colocar a uma blusa e uma saia. Quando fiquei nua diante do espelho, vi que já tinha me queimado e que o biquíni tinha deixado marquinhas no meu corpo.
*   *   *

Além de comprar roupas para mim, a Heloísa me começou a me dar lições de como me comportar como mulher. Eu procurava ser uma aluna aplicada, tinha todo interesse em aprender. Ela me ensinou a caminhar e a sentar como menina, e também a falar com uma voz mais feminina. A Heloísa estava tão encantada com meu progresso que uma vez disse:
- Você vai ficar uma mulher incrível. Ah, estou adorando fazer isso!
Ela me fez calçar as sandálias de salto alto e caminhar para lá e para cá. No começo quase caí umas duas vezes, depois consegui me equilibrar e caminhar, mas não com aquela naturalidade de mulher. A Heloísa me incentivava:
- Assim mesmo. Já está ficando melhor. Eu também tive dificuldade para pegar o jeito quando era menina...
Heloísa calçou sapatos de salto alto e começou a caminhar ao meu lado, de um lado para outro. No final eu já estava bem melhor, e comecei a acreditar que com mais algumas lições, e um pouco treino, logo estaria andando de salto como ela.
- Por hoje basta de salto, Lucinha – disse finalmente a Heloisa, para alívio meu, porque meus pés já estavam doendo. Depois ela pegou minhas mãos e disse: – Agora vamos dar um jeito nessas unhas; uma menina não pode andar desse jeito...
Ela trouxe um estojo de manicura e começou a lixar minhas unhas (felizmente não tirou as cutículas), depois as pintou com esmalte rosa; repetiu tudo nas unhas dos meus pés. Eu admirava minhas mãos enquanto o esmalte secava, mal acreditando no que via. A Heloísa também tirou um pouco das minhas sobrancelhas (ai que tortura!) e aparou meus cabelos, para ficar com um corte mais feminino. Para completar colocou na minha cabeça uma tiara rosa. Quando terminou a obra, olhou bem para mim e disse:
- Agora sim, está perfeita. Nem precisa de maquiagem – e pegou em espelho para que eu me visse.
Fui correndo procurar o Marcelo que, segundo me disse o Adamastor, estava no pomar pegando frutas. Olhei por entre as árvores até encontrá-lo. O Marcelo, junto com um outro menino, tinha trepado num pé de manga, e os dois apanhavam as frutas. Meu primeiro impulso foi subir também na árvore, mas me lembrei que agora eu era uma menina e as meninas não fazem essas coisas, e também não queria estragar minhas unhas nem sujar meu vestido.
- Essa aí é minha amiga, a Lucinha – disse o Marcelo para o outro menino. Depois disse para mim – Lucinha, este aqui é o Bento, filho do caseiro do outro sítio.
- Oi – disse eu, acenando.
- Oi – fez ele, respondendo o aceno.
Ouvi quando o Bento comentou em voz baixa com o Marcelo: “Como ela é bonitinha!”. Fiquei contente, nem tanto por ele me achar bonita, mas por que nem tinha percebido que eu na verdade era um menino. Pouco depois, ele e o Marcelo desceram da árvore e nós três conversamos, enquanto comíamos mangas. O Bento era mulatinho, devia ter a mesma idade que eu e o Marcelo, treze anos, mas era mais baixo que nós. Ele me tratou como uma menina, em nenhum momento ele desconfiou que havia algo diferente comigo. Aquilo era uma coisa diferente, porque o Marcelo, a Heloísa e o Adamastor me tratavam como menina, mas no fundo sabiam que eu era um menino; aquele Bento realmente acreditava que eu fosse mulher...

*   *   *
Antes do jantar eu tomei banho e coloquei um dos vestidos que tinha comprado com a Heloísa, calcinha e o sutiã com enchimento por baixo, calcei a sandália de salto para já ir me acostumando. Quando entrei na sala de jantar, vi que lá estava mais uma mulher, uma senhora de uns cinqüenta anos, conversando com a Heloísa. Meu primeiro impulso foi voltar para o quarto e me esconder. Porém, a Heloísa me viu e chamou:
- Lucinha, vem cá conhecer a Margô.
Quando cheguei mais perto, vi que a tal Margô na verdade era o Adamastor, tio do Marcelo, vestido de mulher. Ele até que enganava bem, fazia o gênero perua, com uma peruca loura esvoaçante que parecia ter saído da cabeça da Hebe Camargo.  Vestia um vestia um tailleur xadrez, muito elegante, usava maquiagem pesada, óculos de gatinho e muitas, muitas jóias (depois fiquei sabendo que eram jóias de verdade): colares, brincos, pulseiras, broches e anéis. Trocamos beijinhos de mulher; quase fiquei tonta de tão forte o perfume dele.
- Mas que menina mais linda! – exclamou a Margô. Não sei como o Adamastor conseguia fazer aquilo, mas a voz dele estava diferente, parecia mesmo voz de mulher.
- É a namoradinha do Marcelo, meu sobrinho – explicou Heloisa, como se a Margô fosse mesmo uma visita e não soubesse de nada. – A Margô vai jantar hoje com a gente, Lucinha.
Logo depois entrou o Marcelo e com a maior naturalidade cumprimentou a Margô; aquilo não devia ser novidade para ele. Procurei me adaptar à situação, afinal eu também estava vestida de mulher. No final acabei gostando mais da Margô do que do Adamastor. Ela falava o tempo todo, era desbocada e muito divertida; todos nós morremos de rir. Enfim compreendi por quê naquela casa eu podia ficar vestida de menina sem escandalizar ninguém.
Naquela noite fomos dormir bem tarde. Na hora em que o Marcelo entrou no quarto, depois de escovar os dentes, eu já estava na cama, com a minha camisolinha preta, esperando.
*   *   *
Passei dias maravilhosos no sítio: piscina, brincadeiras, passeios, visitas ao pomar. Dava minha bunda todos os dias para o Marcelo, às vezes duas vezes por dia, fora as chupadas no pau dele (agora deixava que ele gozasse na minha boca, só não engolia). Passava o dia inteiro vestida de menina; nem uma vez sequer durante minha estada eu usei as roupas que tinha trazido na mala. Para mim começou a ser rotina ao levantar pôr a calcinha e o sutiã, depois um vestido ou um conjunto de blusa e saia, calçar sandálias ou um chinelinho rosa que era da prima do Marcelo. Além das roupas que a Heloísa tinha me comprado, havia um armário cheio de roupas da Marta que eu podia usar à vontade. A Heloísa quis me comprar um biquíni novo, mas preferi continuar usando o da Marta, não só porque ficava muito bem em mim, mas também porque usando sempre o mesmo biquíni as marquinhas ficavam no mesmo lugar.
Já estava há uma semana hospedada no sítio. O Adamastor desaparecia de vez em quando; era nesses dias recebíamos a visita da Margô. Ela vinha só à noite, perua como sempre, tagarelando sem parar. Eu adorava a Margô. Assim que ela me via, dava um gritinho e dizia:
- Lucinha, você está ficando preta, menina !
Eu sorria. Realmente meu bronzeado estava lindo. Uma vez eu abaixei um pedaço da saia e mostrei para a Margô a minha marquinha do biquíni. Eu me sentia tão bem ali; às vezes até eu me esquecia que era um menino. Procurava não pensar que dentro de mais uma semana eu teria que voltar para casa e ser homem novamente.
Porém, na segunda semana o Marcelo ficou diferente comigo. Ele começou a sair bastante e me deixava sozinha no sítio com seus tios; às vezes só voltava à noite. Perguntei a Heloísa o que estava acontecendo. Ela meio sem jeito explicou-me que o Marcelo teve uma namoradinha num sítio ali perto, uma menina chamada Mônica. Heloisa não sabia se eles tinham reatado o namoro ou se só eram amigos, mas de qualquer forma era na casa dessa Mônica que o Marcelo estava indo.
Chorei, fiquei louca de ciúmes. Eu me perguntava o quê essa Mônica tinha que eu não tinha? No fundo eu sabia a resposta: ela é uma menina de verdade e eu não. Fiquei arrasada; impossível competir com essa Mônica. Ela devia estar dando (sei lá o quê) para o Marcelo, pois ele tinha parado de me comer.
Uma tarde eu passeava sozinha pelo pomar, triste, quando avistei do outro lado da cerca aquele menino, o Bento.
- Oi, Lucinha – disse ele acenando.
- Oi, Bento – respondi o aceno.
- Olha, Lucinha – prosseguiu ele – tem umas mangas maduras. Você quer que eu pegue para você?
- Quero, sim – respondi sorrindo, afinal era bom ter alguma coisa para fazer.
Bento atravessou a cerca e fomos os dois até a mangueira. Pedi para ele me ajudasse a subir na árvore. Agarrei o tronco e com o Bento me empurrando por trás, consegui chegar até o primeiro galho. O Bento deve ter visto minha tanguinha amarela, pois notei pelo volume no seu calção que ficou de pau duro. Ele subiu na árvore com agilidade, indo até os galhos mais altos, onde ficavam as mangas maduras, e foi pegando e passando para mim. Quando já tínhamos uma boa quantidade, descemos da árvore e começamos a comer.
- Você me acha bonita? – perguntei.
- Acho, sim – respondeu ele baixando os olhos.
- Conhece uma tal de Mônica que mora aqui perto?
- Conheço.
- Ela é mais bonita que eu? – perguntei.
- Não. Eu acho você muito mais bonita – respondeu ele sorrindo timidamente.
Eu estava com tanta raiva do Marcelo, que comecei a pensar em dar a bunda para o Bento. O que me dava mais tesão era o fato de ele pensar que eu era uma menina de verdade.
- Você viu minha calcinha quando subi na árvore? – perguntei.
- Vi – disse ele envergonhado – mas foi sem querer.
- Eu não ligo – falei dando de ombros. Depois perguntei: - Você gostou de ver minha calcinha?
- É, gostei...
- Já comeu uma menina?
- Não.
- Nunca transou?
- Só com um cabrita e com uma égua, uma vez... – respondeu.
O Bento estava muito envergonhado, mas parecia gostar da conversa. O pau dele estava novamente duro dentro do calção. Eu também sentia bastante tesão, porque por causa da tal Mônica estava há dois dias sem dar a bunda para o Marcelo. Além disso, eu seria o primeiro ser humano que o Bento comia...
- Se eu der a bunda para você, você não conta para ninguém? – perguntei.
- Não conto, não – disse ele apressado.
- Então eu dou.
Eu me deitei de bruços sobre a grama, apoiada nos antebraços, para que ele não visse meu pau. Pedi para ele levantar a minha saia e beijar a minha bunda, e ele fez tudo direitinho. Depois falei para ele tirar o calção, enquanto eu abaixava minha calcinha até os joelhos. Quando olhei de novo para ele, quase não acreditei no que via. Apesar de ser mais baixo do que eu e o Marcelo, o pau dele era enorme, muito maior do que o do Marcelo. Senti um pouco de medo, mas resolvi ir em frente porque já estava louca de tesão. O pior é que não havia nada ali para lubrificar o pau dele.
- Acho que esfregando uma manga bem madura nele ele fica lisinho – sugeriu o Bento.
Ele enlambuzou o pau com a manga e veio por trás de mim. Eu arrebitei a bunda com cuidado, para que ele não visse meu saco. Ele se deitou em cima de mim e o pauzão dele começou a procurar meu cu. Pouco depois ele já estava me penetrando. Gritei de dor:
- Ai, ai, está doendo. Tira um pouco, Bento.
Ele tirou. Eu respirei um pouco, até a dor passar; depois pedi:
- Põe de novo. Mas devagar.
Nessa segunda vez doeu menos; resolvi agüentar firme. Tive uma sensação boa de abrigar aquele pau grande na minha bunda.
- Está doendo? – ele perguntou.
- Não, agora está gostoso. Pode pôr. Põe tudo – pedi.
Vi estrelas na hora que gozei. Quando terminamos, coloquei de volta minha calcinha, com cuidado para que o Bento não visse nada. Depois nos despedimos com um beijinho e eu voltei para casa. Sentia meu cuzinho um pouco mais arrombado, mas estava feliz, mulher como nunca. 

*   *   *
Quando voltei a casa, encontrei com a Heloísa na sala. Ela sorriu e me disse sorrindo:
- O Marcelo já voltou. Está no quarto. Parece que brigou com a Mônica!
No jantar o Marcelo se aproximou de mim, estava querendo fazer as pazes. Depois, quando estávamos no escurinho da sala assistindo à novela, ele passou a mão nas minhas coxas e na minha bunda, beijou meu pescoço. No começo não correspondi aos carinhos, porque ainda estava com muita raiva dele; tive vontade de dizer que não precisava mais dele, que tinha arranjado outro namorado. Mas aos poucos fui cedendo. A verdade é que eu ainda estava apaixonada pelo Marcelo, o Bento tinha sido só uma distração. Além disso, talvez o Marcelo não tivesse comido a tal Mônica, enquanto eu tinha levado o pau do Bento no rabo – e que pau! Acabamos trocando alguns beijinhos na boca, ali mesmo na sala; resolvemos ir para o quarto mais cedo.
Na cama ele foi muito carinhoso comigo, beijou toda minha bunda e até lambeu meu cuzinho, deixando-me louca de tesão. Pela primeira vez ele me deu um beijo de língua; achei estranho, mas gostei. “Ele deve ter aprendido isso com a tal Mônica”, pensei. Depois eu fiquei de bruços, enquanto ele abaixava minha tanguinha, já com o pau lubrificado, pronto para me comer. Tive medo que ele notasse alguma coisa, que meu cuzinho tivesse ficado mais largo depois de dar para o Bento.
- Eu ainda estou gostosa? – perguntei enquanto ele me bombava.
- Você está cada vez mais gostosa, Lucinha – ele respondeu.
Nossos últimos dias no sítio foram maravilhosos, sol, piscina, passeios e muito sexo. Encontrei com o Bento outras vezes, mas trocamos apenas olhares e sorrisos, nada mais. Eu tinha voltado a ser a namorada do Marcelo, não ia dar a bunda para mais ninguém.
*   *   *
Enfim terminaram-se as duas semanas. O Adamastor, a Heloísa e o Marcelo me acompanharam à rodoviária de Campinas para eu embarcar de volta a São Paulo. Marcelo ia ficar mais uns dias no sítio antes de voltar para o Rio. Após de duas semanas vestido apenas de mulher, eu me sentia estranho com roupas de homem. Ao se despedirem, a Heloísa e o Adamastor disseram que, se minha mãe deixasse, eu poderia passar outra temporada no sítio, nas férias de julho. O Marcelo também viria e quem sabe também viesse a outra sobrinha deles, a Marta. Depois de usar tantas roupas dela, estava até curioso para conhecer a prima do Marcelo.
De lembrança da minha estada no sítio, trouxe para casa dois conjuntos de calcinha e sutiã e também o biquíni da Marta (a Heloísa me disse que o biquíni já estava velho e a Marta não usava mais). Minha mãe estranhou que minhas roupas na mala estivessem intactas, como se não tivessem sido usadas. Eu menti para ela dizendo que a tia do Marcelo tinha lavado e passado tudo antes de eu ir embora.
- Você não devia ter dado esse trabalho, Carlos! – exclamou minha mãe.
Voltei a minha vida de menino. A lingerie e o biquíni eu usava escondido no meu quarto, diante do espelho, curtindo o meu bronzeado. Durante alguns meses eu não poderia ficar sem camisa nem me trocar na frente de ninguém, para não mostrar as marquinhas do biquíni no meu corpo. A marquinha de baixo até poderia passar por uma sunga bem pequena, mas a de cima: como explicar aqueles os dois triângulos brancos em cima dos meus peitos e o sinal das alças nos meus ombros e costas. Para fazer educação física, eu tinha de sair de casa já com a camiseta por baixo e não tirar de jeito nenhum.
No mais, só esperar as férias de julho. Minha mãe me disse que se eu tirasse boas notas na escola poderia passar as férias de novo no sítio dos tios do Marcelo. Nunca estudei tanto como naquele semestre...

Lúcia Millet

São Paulo, 16/01/2007

luciamilet@hotmail.com
luciamilet@bol.com.br


P.S.: este conto é continuação do meu conto Troca-Troca, ambos publicados originalmente no site da Betinha (www.betinha.com.br)

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