sexta-feira, 26 de junho de 2020





JANE, A CABELEIREIRA




Este conto nasceu
de uma colaboração minha com
a crossdresser Michelly Cross,
de Recife,  que também
é escritora.

Eu passava todo dia diante do salão de beleza, geralmente mais de uma vez por dia, apenas para ver Jane. Aquele lugar exercia uma atração irresistível sobre mim, igual a que sentia ao passar diante das lojas de lingerie devorando com os olhos as peças expostas e com desejo de comprar um monte delas para usar, o que não teria nada de mais se eu não tivesse nascido homem. Nunca tive coragem de parar na loja para comprar algo, nem de entrar no salão de beleza para conversar com Jane. As duas coisas tinham ligação, eu imaginava como deveria ser maravilhoso poder ficar vestido de mulher o tempo todo como Jane. Ela não era totalmente passável, dava para perceber que não havia nascido mulher, que era um homem vestido de mulher, e mesmo assim era bonita: eu a achava linda. Ocupada com o penteado das freguesas, ela não devia prestar atenção àquele rapazinho de dezesseis anos que passava todo dia pela calçada olhando para dentro do salão. Lá trabalhavam ainda uma mulher que era manicura e um rapaz efeminado, também cabeleireiro, que não tinham nenhuma importância para mim, mas foi ouvindo eles falarem o nome dela que descobri que se chamava Jane. Agora penso que talvez tenha sido um deles que alertou Jane para aquele rapazinho que passava sempre diante do salão olhando para ela, porque um dia, quando menos esperava, Jane abriu rapidamente a porta e veio falar comigo. 
– Ei! – e pela primeira vez ouvi a voz de Jane, que apesar do esforço de parecer feminina soava um pouco rouca – Você não quer entrar para conhecer o salão?
– Bom, eu não sei – respondi embaraçado – tenho de voltar para casa.
Na verdade sempre tive vontade de entrar no salão para poder conversar com aquela mulher diferente, de pele morena, cabelos castanhos que iam até os ombros, maquiagem leve, sobrancelhas muito finas e batom vermelho nos lábios. Ela usava uma calça branca de lycra, muito justa,  com uma blusinha cor-de-rosa. Eu podia sentir o perfume dela.
– Vamos, entre para conhecer! – disse Jane me puxando pela mão e me levando para dentro.
Senti um frio barriga quando me vi dentro do salão. A manicura e o  cabeleireiro efeminado me receberam com um sorriso. Era um salão pequeno, além da mesinha onde trabalhava a manicura, havia duas cadeiras para os cabeleireiros, com uma balcãzinho e um grande espelho diante de cada uma delas, num canto tinha uma daquelas pias de lavar os cabelos, secadores pendurados na parede, muitas escovas e produtos de beleza espalhados para todo o lado e os cheiros deles se misturavam ao da acetona que a manicura usava naquele momento.
– Qual o seu nome? – perguntou Jane.
– Marcelo – respondi.
Eu me chamo Jane – ela disse e depois completou mostrando o cabeleireiro gay e  manicura – aquele ali é o Marquinhos e aquela, a Gigi.
– Oi – disse eu acenando para os dois.
– Venha sentar um pouco aqui – disse Jane me conduzindo até um sofá que havia no fundo do salão.
Ainda com o coração batendo forte, sentei-me ao lado de Jane no sofá de corvin marrom claro. O salão estava quase vazio naquela hora, apenas uma freguesa fazia as unhas sentada diante de Gigi.
– Como você é bonito, Marcelo – disse Jane passando a mão nos meus cabelos – Bom, a gente vê sempre você passando e olhando para dentro do salão. Não vá me dizer quer quer ser cabeleireiro também?
– Não – respondi tímididamente e não sei de onde encontrei ainda forças para completar – Tinha muita vontade conhecer você, Jane.
– Verdade!? – disse ela abrindo um lindo sorriso.


Ariadna Arantes



Conversamos. Contei para ela que gostava de me vestir de mulher escondido em casa e queria ter a coragem de ser como ela, mulher por tempo integral. Jane
me disse que eu tinha de buscar aquilo que ia me fazer feliz, mas que as coisas não eram tão fáceis quanto eu imaginava. Ela me contou como era perseguida pelos moleques na escola, como a família a rejeitou quando resolveu se assumir como transexual e como por muito pouco não caiu no mundo da prostituição.
– Se você quiser se assumir – disse ela – tem de estar preparado para um monte de coisas.
Ficamos conversando por mais um tempo, até que chegou uma freguesa para fazer o cabelo e Jane teve de ir trabalhar. Ela me acompanhou até a porta e me deu um cartão com seu endereço.
– Segunda é o dia de folga aqui no salão. Aparece lá em casa. Sério, queria conhecer você melhor, Marcelo. Vou ficar esperando por você na segunda, lá pelas 10 da manhã, tá? – e se despediu de mim me dando um beijo no meu rosto.

*          *          *

Ariadna Arantes

Aguardei ansioso a segunda-feira para ir a casa de Jane.  Cheguei ainda de manhã, como ela me havia pedido. Jane me recebeu sorridente na porta. Estava sem maquiagem, os cabelos meios espalhados. Vestia um legging estampado e uma blusinha regata que deixava ver as alças do sutiã que ela usava por baixo. Assim mesmo, meio desarrumada, ela estava sempre linda para mim.
– Descupe – disse sorrindo – é que eu terminei de fazer a limpeza agora. Eu aproveito a folga da segunda para por tudo em ordem. Nos outros dias eu chego cansada do salão que não sinto vontade de fazer nada.
– Não, você está linda assim – eu disse.
Sentamos no sofá para conversar. Jane me contou um monte de coisas de sua vida, como se descobriu transexual e depois como se assumiu.
– Você precisa saber, Marcelo, se você não á uma apenas uma crossdresser, um homem que gosta de se vestir de mulher, ou uma transexual – disse Jane.
– Bom, eu acho que gostaria de ficar vestido de mulher o tempo todo, como você – respondi.
– Você deve ficar uma gracinha vestido de mulher – fez Jane olhando para mim e sorrindo – Escuta, você quer que eu te monte? Roupa, cabelo, maquiagem, tudo?
– Se você quiser, eu topo – respondi meio sem jeito.
– Então vamos lá para o quarto, tenho uma penteadeira – disse Jane e ela  me levou até o quarto, onde havia uma cama de casal coberta por uma colcha vermelha, um grande guarda-roupa e uma penteadeira com um banquinho, onde Jane me pôs sentado.

Ariadna desfilando no Carnaval.

Jane abriu um estojo com um monte de produtos para maquiagem, de multiplas cores, sombras, batons, pincéis. Ela escolheu uma base que ficasse bem com o tom da minha pele e começou a me maquiar: face, olhos, boca, ela era bem profissional, contou-me que tinha trabalhado como maquiadora antes de abrir o salão. Depois Jane deu um jeito no meu cabelo, fez uma escova e me penteou, e como eu gostava de usar o cabelo comprido, ficou ótimo. Quando Jane terminou e me vi no espelho, quase não acreditei. Aquela alí era eu?
– Agora vamos vestir você, menina! – disse Jane me levando até o guarda-roupa – Acho que nós usamos quase o mesmo tamanho.
Jane tinha muita roupa, um pouco de tudo, vestidos, saias, blusas, calças, um monte de leggings e ainda várias gavetas cheias de lingerie.
– Você gosta de lingerie, que eu sei – disse ela sorrindo – Deixa eu escolher uma bem bonita para você.
Ela me entregou um conjunto de sutiã e calcinha fio-dental cor-de-rosa com partes rendadas. Tirei minha roupa e vesti o conjuntinho, ali mesmo na frente de Jane. Não sentia vergonha dela, ela era como eu. Jane até me ajudou a prender o fecho do sutiã nas minhas costas.
– Que corpinho bonito você tem, menina. Bundinha bem empinada – ela disse sorrindo – Se eu fosse lésbica acho que pegava você... Mas não, o meu negócio é homem!
Jane escolheu para eu vestir uma blusinha regata e uma minissaia listrada de malha, bem justa e curta, e as duas peças cairam como uma luva no meu corpo. Depois ela me fez calçar um par de sapatos de salto alto, tipo agulha. Jane riu do meu caminhar desajeitado com sapatos, era a primeira vez que andava de salto, tive de me apoiar algumas vezes na parede para não cair.
– Você precisa aprender a andar de salto, menina – ele disse em meio ao riso. Mas depois ficou com dó e me deu um par de sandálias rasteiras.

Ariadna Arantes

Finalmente pude me ver completamente montada no grande espelho do guarda-roupa. Até ali eu só vestia lingeries, principalmente calcinhas, não imaginava que poderia me tornar uma mulher completa e tão bonita.
– Como você se chama, menina? Quer dizer, qual o seu nome quando está montada? – perguntou Jane.
– Paula – respondi.
– Paula? Você ficou uma belezinha, Paula – disse Jane sorrindo – Você já tem um namorado?
– Não. Por quê? – perguntei.
– Ah, bonita desse jeito, logo vão aparecer muitos rapazes interessados em você – Jane disse – Você já ficou com algum rapaz?
– Não. Ainda sou virgem – respondi envergonhada.
– Dezesseis anos: já está na hora de você se tornar uma mulher de verdade – exclamou Jane – E sabe o que você tem de fazer para ser uma mulher de verdade?
– Não – respondi.
– Você precisa saber satisfazer um homem na cama – disse Jane – e se satisfazer também.
– Ah, Jane, acho que ainda não estou preparada para isso. Por enquanto quero só me vestir de mulher. Estou adorando estar aqui com você – disse me admirando mais uma vez no espelho.
– Eu tenho um namorado, sabe? Ele se chama Juarez, estamos juntos há mais de um ano. Ele vem sempre aqui ficar comigo, mas escondido, não quer que ninguém fique sabendo que ele namora uma transexual – disse Jane sorrindo – Você não sente tesão pelos rapazes, Paula?
– Ah, sinto. Na escola eu era apaixonada por outro menino, mas nunca transei. Às vezes quando me masturbo enfio o dedo ou algum objeto no cu e imagino que sou uma mulher sendo comida – confessei.
– Hum, isso é muito bom! – exclamou Jane – Logo, logo vai querer um homem de verdade.
– Eu tenho um pouco de medo, dizem que dói. É verdade? – eu perguntei.
– Ah, não precisa ter medo. Se você o rapaz for carinhoso não vai doer tanto assim. Quer dizer, um pouco sempre dói, principalmente no começo. Mesmo assim é gostoso! – disse Jane sorrindo sonhadora, depois prosseguiu – Ah, como é bom beijar meu homem, chupar o pau dele, de depois dar a bunda. Eu adoro dar a bunda! Fico satisfeita pelo resto da semana.
– Ah, não sei – disse eu sem jeito.
– Mais tarde meu namorado Juarez vem aqui – disse Jane – Quero apresentar você para ele.
– Ah, mas assim, montada?! – perguntei.
– Claro, você está linda. E ele está acostumado com transexuais – respondeu Jane.


Ariadna na praia com o noivo

Almoçamos juntas, Jane cozinhava muito bem. Pouco depois chegou Juarez, o namorado de Jane, trazendo com ele um primo mais novo, Sidney. O Juarez era um tipão e o primo dele, um gatinho. Trocamos beijinhos e ficamos conversamos todos juntos, mas logo acabamos formando dois casais, a Jane com o Juarez, eu com o Sidney. Depois de algum tempo, Juarez e Jane foram para o quarto, na certa para transar, e eu fiquei conversando com Sidney na cozinha. A casa de Jane não tinha sala, era somente cozinha e quarto, mais o banheiro. O televisor ficava na cozinha onde havia também um sofá onde o Sidney e eu estávamos sentados. Sidney me tratava como uma mulher e parecia estar bem interessado em mim.
– Acho incrível meu primo Juarez namorar uma transexual. Eu também sinto atração pelas trans – disse Sidney aproximando seu rosto do meu.
Quando eu menos esperava, ele me beijou na boca, um beijo leve. Fiquei meio surpresa, mas não resisti. Então ele me beijou mais longamente enquanto seu braço envolvia minha cintura. Fiquei com o pau duro na hora.
– Fiquei apaixonado assim que vi você, Paula – disse Sidney entre os beijos – E depois que conversei com você fiquei mais apaixonado ainda. Você gostou de mim? – ele perguntou.
– Ah, gostei. Mas não esperava isso – respondi.
– Você nunca transou? – perguntou Sidney.
– Não, nunca – respondi embaraçada.
Você é muito bonita – ele disse sorrindo.
– Obrigada – respondi.
Sidney me beijou novamente. Correspondi ao beijo, agora também com a língua. Era a primeira vez que beijava alguém na boca. As mãos de Sidney passeavam pelo meu corpo. Meu pau queria escapar de dentro da calcinha fio-dental de tão duro que estava, e Sidney deve ter percebido o volume debaixo da minha minissaia de malha. Estava um pouco assustada com a situação, mas não sentia vontade de parar. Pela primeira vez eu me sentia desejada e tão mulher... Nada mais natural que fizesse aquilo que as mulheres fazem quando transam, quer dizer, mais ou menos.
– Você já chupou um pau? – Sidney me perguntou.
– Não – respondi – mas eu sei como se faz.
Tinha assistido muitos filmes pornôs e achava que sabia chupar bem, apesar de nunca ter tentado.
– Você chupa o meu? – perguntou Sidney.
– Chupo – respondi, achando que era uma boa maneira de fazer minha iniciação sexual sem ter de dar a bunda ainda.
Eu me debrucei no colo de Sidney, abrir o ziper de sua calça e o pau dele logo saiu para fora, bem duro. Não pensei muito para não hesitar, simplesmente peguei o pau dele, coloquei na boca e comecei a chupar, movimentando a cabeça, fazendo o pau ir e vir dentro da minha boca, até perto da garganta. Era um pau normal, talvez um poco maior do que o meu. Foi um pouco estranho no começo, mas logo comecei a gostar de ter um pau de verdade na minha boca. Eu chupava com vontade, procurando fazer o melhor possível, variando os movimentos. Sidney parecia estar gostando bastante, com os olhos fechados ele gemia de prazer. Depois de um certo tempo, ele se afastou de mim, tirando seu pau da minha boca.
– Ah, Lucia, eu queria comer um pouco essa sua bundinha linda – disse Sidney – Você dá para mim?
– Você sabe, eu nunca fiz isso? – disse temerosa mas com vontade de ir adiante.
– Sei, Jane já me contou. Pode deixar, vou ser carinhoso com você – ele disse no meu ouvido.
Ah, quem pode resistir a uma proposta dessas. Entre os beijos e os carinhos, fiquei sem a blusa, a saia, a calcinha e o sutiã, e Sidney também tirou rapidamente as roupas dele. Deitei-me de bruços no sofá, enquanto Sidney lubrificava o pau com manteiga que tirou da geladeira. Pouco depois ele se deitou sobre mim e senti o calor do pau dele duro roçando na minha bunda, e depois entre as minhas nádegas, bem perto do meu cu. Arrebitei a bunda para facilitar a penetração.
– Se doer muito, você avisa – disse Sidney e o pau dele começou a entrar em mim.
– Ai, Sidney, está doendo! Tira um pouco – exclamei ao sentir uma dor lascinante, como se algo estivesse rasgando meu cu.
Sidney tirou a ponta do pau dele de dentro de mim. Respirei aliviada. Continuamos na mesma posição, eu de bruços e ele deitado sobre mim. Apesar da dor eu queria parar, se cheguei até ali, agora queria ir até o fim. Sidney acariciava meu corpo e pedia para eu relaxar. Começamos novamente. Ele foi muito paciente comigo, somente na terceira vez que o pau dele entrou pau no meu cu eu achei a dor suportável e disse que ele podia ficar. Sidney começou a se movimentar, fazendo seu pau ir e vir dentro de mim. Foi meio estranho, ainda doia um pouco, mas logo comecei a gostar. Eu esfregava meu pau na frente enquanto Sidney me comia por trás. Meu Deus, aquilo era bom, era bom demais! O pau de Sidney se movimentando dentro de mim, o calor de nossos corpos se esfregando, nossos gemidos... Os movimentos de Sidney foram ficando cada vez mais rápidos e os meus também, eu movimentava minha bunda sem parar. E fomos indo, fomos indo, até gozamos.

Ariadna no BBB


*          *           *

Jane me eu de presente o conjunto de calcinha e sutiã que eu tinha usado. Queria me dar mais coisas, um vestido, uma saia, businhas, mas não pude aceitar. Não tinha um lugar seguro para guardar em casa, minha mãe revirava em tudo para limpar, e eu morria de medo que ela descobrisse que eu gostava de me vestir de mulher. A calcinha e o sutiã eram mais fáceis de esconder. Pela primeira vez eu ia ter minha própria lingerie.
Sidney e eu combinamos nos encontrar outras vezes. Eu estava  totalmente apaixonada por ele. Meu cu ardia enquanto eu caminhava de volta para casa e mesmo assim eu me arrependia de ter dado a bunda para Sidney.  Sentia-me realizada, mais mulher do que nunca, e tinha perdido minha virgindade. Aquela tarde na casa de Jane era uma espécie de divisor de águas na minha vida, uma guinada definitiva numa certa direção. O que tinha começado apenas como uma brincadeira de vestir calcinhas para masturbar, de repente se tornou uma coisa mais séria. Descobri que havia uma mulher dentro de mim, a Paula, que queria se libertar e tomar o lugar do Marcelo.

F I M

Ariadna desfilando



Para ler os melhores contos de Lucia Millet, procurem o livro A CDZINHA GRÁVIDA E OUTRAS HISTÓRIAS




À venda nos sites abaixo:






sexta-feira, 19 de junho de 2020





A CDZINHA GRÁVIDA e Outras Histórias.


Aproveitando o tempo da pandemia e os vários bloqueios do Facebook, resolvi reunir os contos que escrevi entre 2006 e 2019 na forma de um livro. O livro se chama A CDZINHA GRÁVIDA E OUTRAS HISTÓRIAS – contos da crossdresser Lucia Millet, com 232 páginas.


O livro foi publicado numa parceria com o Clube de Autores, um projeto que eu achei interessante. Você não paga nada para publicar seu livro, mas também você precisa fazer tudo, enviar o livro no formato digital, tudo certinho, revisado, diagramado, com capa. Depois fica disponível para venda. Quando alguém entra em um site e compra um exemplar, eles imprimem o livro, a capa, montam e enviam para o comprador. E o autor recebe uma parcela do valor da venda. O problema é que o livro fica um pouco mais caro. Por isso, para não ficar muito caro, coloquei meus direitos autorais em  R$ 1,00 por exemplar vendido. Por mim, tudo bem, nunca pensei em fazer literatura para ganhar dinheiro.














Quem quiser comprar o livro acesse os links:







Leia a sinopse do livro.

Lucia Millet é uma crossdresser, ou cdzinha como chamamos no Brasil, um homem que se veste de mulher. Os contos que compõem este livro são versões revisadas e refinadas dos originais publicados no  blog da autora entre 2013 e 2019, mas alguns datando de 2006  e 2007.

Originalmente dramaturgo e escritor insipiente, somente quanto assumiu o lado feminino de sua personalidade como a crossdresser Lucia Millet viu despertar sua  veia literária, produzindo contos, roteiros, peças de teatro e cartoons, onde predominam personagens crossdressers, travestis e transexuais,  tipos humanos que de diferentes maneiras transitam entre o masculino e o feminino.

A descrição de relações  sexuais e o fetiche pelas roupas femininas são uma constante no trabalho de Lucia Millet que, no entanto, tem a pretensão fugir  da  pura pornografia, tão comum entre as crossdressers que escrevem na rede, para fazer algum tipo de literatura.

As relações entre as personagens são quase todas homossexuais.  Porém, como as crossdressers, travestis e transexuais nos contos são passivas, acaba prevalecendo um certo heterossexualismo, já que os papéis de macho e de fêmea estão sempre bem definidos.

Suas personagens são em geral muito jovens, perto do despertar da sexualidade e da descoberta de suas verdadeiras inclinações. O crossdressing nos contos conduz sempre ao homossexualismo ou ao transexualismo, o que parece não acontecer na vida real.


Leia um trecho do livro.








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